CONVERSAS À VOLTA DA MESA - MANUEL GRAÇA DIAS, DIA 7 DE JUNHO, ÀS 19H

Lisboa, Rua de São Filipe Nery, ao Rato, 1931 (Foto: Estúdio Horácio Novais)

As minhas memórias à volta do Largo do Rato, em Lisboa

À volta do Largo do Rato, em Lisboa, perto de onde viveu e teve atelier, Manuel Graça Dias falar-nos-á , através do recurso a algumas memórias pessoais, mas também através da sua visão do que possa e deva ser uma Cidade, da cidade em geral, dos seus problemas, alegrias e desaires, mas também de Lisboa, dos seus problemas, alegrias e desaires.

Mais que uma viagem ao passado, interessará, sobretudo, procurar alguma compreensão do futuro, ou de um certo desejo de futuro, fortemente ancorada numa tentativa de compreensão do presente.

Manuel Graça Dias (Lisboa, 1953), arquitecto (ESBAL, 1977), vive e trabalha em Lisboa onde criou o atelier CONTEMPORÂNEA com Egas José Vieira (1990).

Professor Auxiliar da FAUP (doutorado em 2009) e Professor Convidado do DA/UAL, é autor de numerosos textos de crítica e divulgação de arquitectura e dirige o Jornal Arquitectos (2009/2011), orgão da Ordem dos Arquitectos (cuja direcção também assumiu em 2000/2004).

Em 1999, MGD+EJV receberam o Prémio AICA/MC (Arquitectura) pelo conjunto da sua obra.

CONVERSAS À VOLTA DA MESA - MANUEL AIRES MATEUS + ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA, DIA 31 DE MAIO, ÀS 19H


MANUEL AIRES MATEUS nasce em Lisboa, em 1963, e forma-se em Arquitectura na F.A./U.T.L., em 1986. Colabora com o arquitecto Gonçalo Byrne desde 1983. Colabora com o arquitecto Francisco Aires Mateus desde 1988. Professor Convidado na Graduate School of Design, Harvard University, em 2002 e 2005, e na Fakulteta za Arhitekturo, Universa v Ljubljani, Ljubljana, em 2003-2004. Professor na Accademia di Architettura, Mendrisio, desde 2001. Professor na Universidade Autónoma de Lisboa, desde 1998. Professor na Universidade Lusíada de Lisboa, desde 1997. Monitor na F.A./U.T.L., de 1986 a 1991. Assistente na F.A./U.T.L., de 1991 a 1998. Assistente na Universidade Lusíada de Lisboa, de 1988 a 1990.
Participação em exposições, conferências e seminários. Vencedor de vários prémios internacionais, Manuel Aires Mateus foi distinguido, em 2002, com o Valmor, com a Reitoria da Universidade Nova, em Campolide.

PARQUE MAYER

A proposta funda-se na extensão da massa arbórea do Jardim Botânico, desde o actual limite até ao tardoz da periferia construída. Além de promover a continuidade ecológica com a Avenida, cria-se assim um anel de protecção, que permite uma utilização intensa e absorve o impacto nefasto da poluição, ajudando a preservar o equilíbrio do Jardim Botânico.

Aqueles espaços verdes são, na realidade, as coberturas do novo edificado. Mas, mais do que edifícios de cobertura ajardinada, o que se propõe é a ocupação dos espaços resultantes, sob os grandes planos contínuos que modelam a plataforma à cota superior. Noutros moldes, o paradigma é o da cidade histórica: elevada ocupação do solo, baixa altura de construção. Embora contínua em conceito, essa camada edificada é profusamente aberta: permeável às ruas circundantes, atravessável no seu interior, recortada para o céu. Qualificando alguns troços existentes e criando outros, gera-se uma malha de espaço público pedonal que articula as duas cotas; o Capitólio é reenquadrado numa nova praça, onde todos os percursos desaguam.

Implementação de novas actividades e revitalização das actuais devem gerar mútuo benefício. Em torno do Capitólio recuperado, será natural um pólo de artes performativas; na Politécnica, propõe-se um de artes plásticas. São actividades afins, com impacto económico-social e margem de crescimento; escolas e workshops, associados a residências temporárias, podem garantir uma programação de eventos em ambas as áreas, de forma continuada e económica. E, sobretudo, podem informalmente interagir com a vida da cidade, tomando o espaço público como palco principal. Já o desafio do Jardim Botânico é diferente: recuperá-lo e divulgá-lo sem comprometer um equilíbrio delicado e precioso.

ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA licenciou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1969. É Master of Architecture pela Louis Kahn’s Class, na Universidade da Pensilvânia, em 1973. Trabalhou no Louis Kahn's Office, em Philadelfia, EUA, durante 1973.
Integrandou a equipa do Plano Director Municipal da Câmara Municipal de Lisboa de 1971 a 1972. É projectista desde 1969 e, desde 1998, concilia o ensino da Arquitectura com a sua empresa de projectos – Souza Oliveira, Lda., sendo autor de diversos edifícios públicos e projectos urbanos, nomeadamente o Campus da Universidade Nova de Lisboa e a Biblioteca e Arquivo Municipal de Lisboa em co-autoria com o Arq. Manuel Mateus. Dos projectos mais recentes destacam-se a Escola Superior de Gestão (IPCA), em Barcelos, a Residência Alfredo de Sousa da Universidade Nova de Lisboa, duas casas na Vila Utopia, em Oeiras, um edifício de habitação – Lisbon Stone Block - e a Reabilitação do Edifício do Capitólio, no Parque Mayer.

EDIFÍCIO DO CAPITÓLIO

A integração do Capitólio pressupõe uma aproximação cénica ao sítio urbano: o Parque Mayer.
Transformar o Capitólio é repor a sua “grande sala” e abri-la, lateralmente, para uma praça que “encaixa” o espectáculo. O conceito explora a capacidade de reconversão e adaptação do espaço à mutação da relação público/actores. A reabilitação do edifício vem repor e melhorar a versatilidade do espaço e responder às novas exigências da produção contemporânea de espectáculos. A flexibilidade exigida corresponde a ampliar a capacidade de uso e o apetrechamento técnico, adaptando o espaço a múltiplos formatos. A retoma de funcionalidade do Capitólio pressupõe apetrechar o “palco” e a “caixa” com meios técnicos de cena (luz, som e vídeo) sendo exigível que o “esqueleto técnico” pretendido seja minimizado, sob pena de “descaracterização” da “caixa”. Compatibilizar meios técnicos “mais pesados” com a leveza do edificado levantou o problema da “intocabilidade” do Capitólio como peça arquitectónica, ao pretender manterem-se as linhas modernistas do edifício, e esse foi o exercício de projecto.

ROBERT WILSON - THE LISBON EXPERIENCE

Robert Wilson, sentado, e Luís Serpa, no dia 17 de Maio de 2011, por volta das oito da noite, na Galeria Luís Serpa Projectos.

CONVERSAS À VOLTA DA MESA - MANUEL AIRES MATEUS E FREDERICO VALSASSINA, DIA 24 DE MAIO, ÀS 19H


Edifício habitacional – Largo do Rato - Lisboa


FREDERICO VALSASSINA nasceu em Lisboa em 1955. Licenciado em Arquitectura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, em Julho de 1979. Tem trabalhos publicados em Portugal e no estrangeiro. Recebe a Menção Honrosa do Prémio Valmor 2003 referente ao Projecto Alcântara Rio; em 2005, foi professor convidado da Faculdade de Arquitectura da UTL, no âmbito do Mestrado em Desenvolvimento Imobiliário, a leccionar a cadeira de Concepção dos Espaços Residenciais; em 2007, recebe o Prémio Nacional INH/ IHRU e está representado na Trienal de Lisboa. Em 2008, a obra dos novos Estúdios da RTP/RDP é seleccionada para o World Architecture Festival em Barcelona. Em 2009, a obra do Colégio de S. Tomás é seleccionada no âmbito do mesmo Festival. É, ainda, seleccionado para a Exposição Nacional de Arquitectura Habitar Portugal 2006/08 e júri convidado para o Concurso Internacional de Arquitectura a decorrer na Universidade de Campinas, Brasil. Recebe o Prémio Valmor 2004 para o projecto do Art’s Business e Hotel Centre no Parque das Nações.

MANUEL AIRES MATEUS nasce em Lisboa, em 1963, e forma-se em Arquitectura na F.A./U.T.L., em 1986. Colabora com o arquitecto Gonçalo Byrne desde 1983. Colabora com o arquitecto Francisco Aires Mateus desde 1988. Professor Convidado na Graduate School of Design, Harvard University, em 2002 e 2005, e na Fakulteta za Arhitekturo, Universa v Ljubljani, Ljubljana, em 2003-2004. Professor na Accademia di Architettura, Mendrisio, desde 2001. Professor na Universidade Autónoma de Lisboa, desde 1998. Professor na Universidade Lusíada de Lisboa, desde 1997. Monitor na F.A./U.T.L., de 1986 a 1991. Assistente na F.A./U.T.L., de 1991 a 1998. Assistente na Universidade Lusíada de Lisboa, de 1988 a 1990. Participação em exposições, conferências e seminários. Vencedor de vários prémios internacionais, Manuel Aires Mateus foi distinguido, em 2002, com o Valmor, pela Reitoria da Universidade Nova, em Campolide.

O projecto pretende concluir um importante gaveto do Largo do Rato. Este espaço mantido com um aspecto inacabado com a abertura da Rua Alexandre Herculano delimita um ângulo com o outro limite histórico da Rua do Salitre.
Esta localização confina zonas consolidadas da cidade áreas e edificados de vários tipos, tempos e escalas. Relaciona-se com o espaço aberto do Largo do Rato e com a escala abstracta da dimensão topográfica do muro do Palácio Palmela. Assume, assim, o projecto um papel mediador de realidades diversas.
O projecto é desenhado a partir da realidade encontrada, dimensionando a partir de altura do edifício “Ventura Terra“ como bitola de um equilíbrio que se sente no local, assumindo uma imagem abstracta que o relaciona com a topografia ou a materialidade do muro da Procuradoria.
O projecto que pretende ancorar este importante remate introduz ainda o problema do tempo numa área de muitos períodos históricos e construtivos do processo da cidade.
Resulta assim necessário traduzir este papel de mediador de dimensões físicas, mas também da percepção do urbano. A opção aproximou a proposta de uma escala entre o construído, “Arquitectónico” e o topográfico “territorial”. Uma ambição de um volume abstracto, “flutuante”, mas pesado pela sobreposição de camadas de pedra “tradutoras” de uma história. Pedras de lioz recolhidas na própria história da cidade, para, reutilizadas, concluírem este espaço até agora em aberto.

ROBERT WILSON EM PORTUGAL - 17 DE MAIO, ÀS 19H45

Nascido em Waco, no Texas, em 1941, Robert Wilson frequentou a Universidade do Texas e o Brooklyn’s Pratt Institute, onde desenvolveu interesses por arquitectura e design. Em Nova Iorque, nos anos 60, reuniu um grupo de artistas, que ficou conhecido por The Byrd Hoffman School of Byrds. Das grandes produções teatrais, destacam-se The King of Spain, The Life and Times of Sigmund Freud, The Life and Times of Joseph Stalin, A Letter for Queen Victoria, Einstein on the Beach (com o compositor Philip Glass), Death Destruction & Detroit e Death Destruction & Detroit II, The Black Rider, Alice, Time Rocker, e POEtry. Entre as muitas óperas dirigidas por Wilson, estão Parsifal e Lohengrin de Richard Wagner, The Magic Flute de Wolfgang Amadeus Mozart, Madame Butterfly de Giacomo Puccini, e Pelléas et Mélisande de Claude Debussy. Ao longo dos anos, Robert Wilson apresentou adaptações inovadoras de escritores como Virginia Woolf (Orlando), Henrik Ibsen (When We Dead Awaken), Gertrude Stein (Doctor Faustus Lights the Lights, Four Saints in Three Acts, e Saints and Singing), entre outros. Susan Sontag, David Byrne, Allen Ginsberg, Laurie Anderson, Jessye Norman e Tom Waits são alguns dos artistas com quem colaborou. Foi galardoado duas vezes com o prémio Rockefeller, recebeu também o prémio Guggenheim, entre outros.

A Galeria Luís Serpa Projectos, em colaboração com O Museu Temporário_Projecto[s] de Engenharia Cultural e a INDUSCRIA_Plataforma para as Indústrias Criativas propõe que ouçamos os especialistas. Os arquitectos TERESA CASTRO, JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA, GONÇALO BYRNE, MANUEL AIRES MATEUS, FREDERICO VALSASSINA, ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA e MANUEL GRAÇA DIAS são alguns dos participantes nas CONVERSAS À VOLTA DA MESA que darão respostas informadas sobre preocupações comuns a respeito do destino urbanístico de Lisboa. A eles junta-se o artista americano ROBERT WILSON que, em The Lisbon Experience, falará sobre como um criador internacional encontra inspiração na nossa cidade. RW tem vindo a apresentar periodicamente espectáculos e exposições em Portugal onde granjeia de grande prestígio. Apresentou espectáculos na Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest e Centro Cultural de Belém, e exposições na Galeria Luís Serpa Projectos e Fundação Elipse. Em 1998, apresentou a ópera O Corvo Branco com música de Phillip Glass e libreto de Luís Costa Gomes no âmbito da EXPO’98.

As CONVERSAS À VOLTA DA MESA são moderadas por Luís Serpa e têm lugar de 26 de Abril a 07 de Junho 2011, às Terças-Feiras, às 19h00, na Rua Tenente Raul Cascais 1B. A entrada é livre.

TERCEIRA CONVERSA - 10 DE MAIO, ÀS 19H*

* Por impossibilidade de agenda, o Arq. Gonçalo Byrne far-se-á representar pelo Arq. Marco Buinhas.

LISBOA RIBEIRINHA: DO CAIS DO SODRÉ A SANTOS

CONFERÊNCIA DIA 29 DE ABRIL

RELATÓRIO DA COMPETITIVIDADE EUROPEIA 2010

O Relatório da Competitividade Europeia 2010, na sua versão final e completa, foi disponibilizado pela Comissão Europeia. Destaque para o Capítulo 5 (páginas 191 a 247), inteiramente dedicado à “Inovação e Competitividade nas Indústrias Criativas”.
Leia aqui a versão em pdf.

2.º ENCONTRO NACIONAL DOS BICS PORTUGUESES

Nos próximos dias 6 e 7 de Maio de 2011, realizar-se-á em Braga, o 2.º Encontro Nacional dos BICs Portugueses.

Num momento de grandes desafios para o País, a BICS promove o seu 2.º Encontro Nacional num dos pólos mais determinantes para uma estratégia de criatividade, inovação e tecnologia, berço de uma classe empreendedora dinâmica e com elevada vocação exportadora, em que o Vinho do Porto primeiro,e os têxteis e calçado numa fase mais recente, foram alguns dos produtos de grande sucesso e capacidade de conquista dos mais variados mercados, cujo epicentro foi nesta região envolvente de Braga.

O valor da inscrição é de 60 Euros por Delegado e incluí a participação no evento, e as refeições. O registo do acompanhante é de 30 Euros e inclui o jantar. As inscrições deverão ser feitas no documento próprio (ficha de participação) para o efeito e enviadas para o email: cm@bicminho.com ou para o fax 253 20 40 49 até ao dia 30 de Abril de 2011.
[Informação retirada do boletim informativo da BICS.]

A PRIMEIRA CONVERSA - 26 DE ABRIL, ÀS 19H

CONVERSAS À VOLTA DA MESA

26 Abril 11 – 7 Junho 11
A CIDADE COMO PRETEXTO

Lisboa: Uma Cidade Transcultural Para o Séc. XXI
[Novos] Projectos de Arquitectura na Zona do Rato & Outras Ideias
Moderador: Luís Serpa


#1. 26 Abril 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
TERESA CASTRO + JOSÉ SOALHEIRO + CARLOS INFANTES_Campolide Parque + Museu da Água, Lisboa
Opera Design Matters

#2. 03 Maio 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA_Casa Particular_Rua Tenente Raul Cascais, Lisboa
JLCG Arquitectos, Lda.

#3. 10 Maio 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
GONÇALO BYRNE_Estudo Urbano do Quarteirão Sul_Largo do Rato, Lisboa
Gonçalo Byrne Arquitectos

#4. 17 Maio 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
ROBERT WILSON_The Lisbon Experience

#5. 24 Maio 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
MANUEL AIRES MATEUS + FREDERICO VALSASSINA_Edifício Habitacional, Largo do Rato, Lisboa
Aires Mateus e Associados + Frederico Valsassina Arquitectos

#6. 31 Maio 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
MANUEL AIRES MATEUS + ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA_Parque Mayer e Capitólio
Aires Mateus e Associados + Souza Oliveira Arquitectura e Urbanismo Lda.

#7. 07 Junho 2011 [Terça-Feira], 19h00-21h00
MANUEL GRAÇA DIAS_A Cidade Como Pretexto
Contemporânea Lda. Manuel Graça Dias + Egas José Vieira Arquitectos

A CIDADE COMO PRETEXTO

Lisboa: Uma Cidade Transcultural Para o Séc. XXI

CONVERSAS À VOLTA DA MESA
26 Abril a 7 Junho 2011

Porque gostamos de ouvir falar de arquitectura? Porque gostamos de ouvir falar sobre o que somos, o que fazemos e como vivemos. Não há arquitectura sem pessoas. As actividades humanas pressupõem os lugares onde acontecem, dos quais nos lembramos mais tarde, como se a nossa vida fosse um filme. O quotidiano lisboeta é vivido em bairros históricos a que chamamos velhos, entre ruas estreitas e paredes modernamente grafitadas. Sabemos que a calçada em pedra é traiçoeira para os saltos das senhoras, e que há dias em que a luz nos cega, quando descemos a rua do Alecrim em direcção ao rio. Ouvimos falar de arquitectura nos bancos do Jardim das Amoreiras, se calha sentarmo-nos ali. «O que aconteceu à capela?», pergunta um lisboeta incrédulo com a degradação da Sétima Colina. A melhoria da qualidade urbana é uma preocupação comum a todos. É ainda uma parte indispensável na qualificação e valorização de Lisboa como destino cultural.

A Galeria Luís Serpa Projectos, em colaboração com O Museu Temporário_Projecto[s] de Engenharia Cultural e a INDUSCRIA_Plataforma para as Indústrias Criativas propõe que ouçamos os especialistas. Os arquitectos TERESA CASTRO, JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA, GONÇALO BYRNE, MANUEL AIRES MATEUS, FREDERICO VALSASSINA, ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA e MANUEL GRAÇA DIAS são alguns dos participantes nas CONVERSAS À VOLTA DA MESA que darão respostas informadas sobre preocupações comuns a respeito do destino urbanístico de Lisboa. Tendo a CIDADE COMO PRETEXTO em pano de fundo, os arquitectos convidados farão apresentações sobre projectos de edifícios na zona do Largo do Rato, Avenida da Liberdade e Amoreiras.
A eles junta-se o artista americano ROBERT WILSON que, em The Lisbon Experience, falará sobre como um criador internacional encontra inspiração na nossa cidade. ROBERT WILSON tem vindo a apresentar espectáculos e exposições em Portugal onde granjeia de grande prestígio. Apresentou espectáculos na Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest e CCB_Centro Cultural de Belém e exposições na Galeria Luís Serpa Projectos e Fundação Elipse. Em 1998, apresentou a ópera O Corvo Branco com música de Phillip Glass e libreto de Luís Costa Gomes, no âmbito da EXPO’98.
As CONVERSAS À VOLTA DA MESA são moderadas por Luís Serpa e têm lugar de 26 de Abril a 07 de Junho 2011, às terças-feiras, às 19h00, na Rua Tenente Raul Cascais 1B. A entrada é livre.

START-UP PORTUGAL - NOVOS DESAFIOS DE GESTÃO

Na Conferência Start-Up Portugal – Novos desafios de gestão, que teve lugar na Casa da Escrita em Coimbra, no dia 18 de Abril pelas 21h, foi divulgado o estudo “Nova Competitividade – uma Agenda para o Crescimento”, em que são identificados cinco factores estratégicos e propostas 25 linhas de acção.

O estudo teve como autores reputados especialistas e a obra aborda matérias particularmente relevantes para promoção da competitividade da economia portuguesa, podendo vir a ser um importante contributo na definição de políticas públicas.

Para mais informações, consulte Construir Ideias - Plataforma de Reflexão Estratégica.

O espírito da partilha

Carol Vogel é autora de um artigo no New York Times, publicado a 16 de Março, sobre a relação de necessidade entre os museus e os seus visitantes e o uso das novas tecnologias. Vogel descreve o processo de captação de público atrávés dos sites dos museus e de aplicações para iPhone e iPad, e também através de uma participação activa das pessoas no Facebook e no Twitter, permitindo, por exemplo, que manifestem a sua opinião sobre uma exposição. O artigo pode ser lido aqui.

Conferência “Contributo da Cultura para a Estratégia Europa 2020

Nos passados dias 28 de Fevereiro e 1 de Março teve lugar a Conferência "Contributo da Cultura para a Estratégia Europa 2020", na Hungria, no edifício da Academia das Ciências. A Conferência foi inaugurada por József Pálinkás, Presidente da Academia das Ciências Húngara e por Géza Szőcs, Ministro da Cultura.

Integrada no quadro das prioridades da Presidência da Hungria da União Europeia, procurou-se identificar, nesta Conferência, o papel da cultura na implementação bem sucedida da Estratégia Europa 2020, procurando ainda definir os modos como a cultura pode contribuir para o desenvolvimento humano e para a melhoria do capital social. Foi também dada uma atenção particular à melhoria das indústrias criativas e culturais e ao desenvolvimento cultural, à relação entre cultura e inovação e ao papel dos especialistas socioculturais e instituições em atingir os objectivos associados à Estratégia.

Para mais informações, visite o site.

NOVO PDM DE LISBOA


Norte Investe 62 milhões nas Indústrias Criativas

5-4-2011

O discurso político de incentivo ao desenvolvimento, na Região Norte, de uma fileira económica na área das chamadas indústrias criativas vai ganhar corpo nos próximos anos, se avançarem todos os projectos para os quais há fundos comunitários garantidos.

Só no Programa Operacional Regional, o ON.2, estão já comprometidos apoios de quase 46,2 milhões de euros, para um investimento proposto por várias entidades que atinge praticamente 62 milhões.

Quase três quartos deste valor serão aplicados na construção de equipamentos, alguns dos quais destinados a apoiar a actividade de novas empresas.

Arte multimédia, design, moda. Velhas fábricas transformadas em pólos de acolhimento de novos negócios, universidades e escolas apostadas em contribuir para o desenvolvimento desta fileira, ou cluster, a que chamam Indústrias Criativas.

É muito por aqui que passam os mais importantes projectos apoiados pelo ON.2 neste domínio, aos quais se podem acrescentar 18 milhões de euros de fundos para o desenvolvimento regional (Feder) disponíveis para Guimarães Capital da Cultura de 2012.

Feitas novas contas, no total até há mais de 80 milhões prometidos para este novo sector.

Dos nove projectos de construção de equipamentos, o maior investimento é o do Centro de Criatividade Digital (CCD) do Centro Regional do Porto da Universidade Católica. Ao todo são quase 11,3 milhões de euros, com apoios Feder de 7,9 milhões, que implicam a construção de um novo edifício projectado por Siza Vieira e a requalificação do actual edifício da Escola das Artes da Católica. No projecto está contemplada a criação, e o equipamento tecnológico, de uma estrutura designada Praça Multimédia. Conjugada com as restantes vertentes do CCD, este espaço reforçará a apostada Escola de Artes da Católica nas artes emergentes, criando, espera a instituição, massa crítica e favorecendo o empreendedorismo nesta área.

A sul do Porto, em Oliveira de Azeméis e em Santa Maria da Feira, vão surgir dois dos projectos sobre os quais mais se tem falado. No primeiro caso, trata-se da reconversão de uma parte das instalações da antiga fábrica da Oliva no Oliva Creative Factory - que tem, entre outras, uma valência de incubação de "negócios criativos". Está aqui em causa um investimento de 9,44 milhões de euros, apoiado com fundos no valor de 7,47 milhões. No segundo caso, a Feira vai simplesmente explorar um filão que a tem já tornado famosa em momentos como o Festival Imaginarius, investindo 8,5 milhões de euros (apoios de 6,8 milhões) no Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua.

A Fábrica de Design e da Inovação de Paredes, com os seus 6,45 milhões de euros de investimento (5,16 milhões do Feder), e o centro iMod - Inovação, Moda e Design, que a Câmara de Santo Tirso quer instalar numa parte da antiga Fábrica do Telles (4,12 milhões e apoios de 3,3 milhões do ON.2), são os outros dois projectos com maior envergadura (ver caixa nesta página).

Mas o leque de projectos em curso na área das indústrias criativas abrange também iniciativas da Agência Inova no Porto (o CACCAU - Centro de Apoio à Cultura e Criatividade em Ambiente Urbano), o Palácio das Artes - Fábrica de Talentos da Fundação da Juventude, o Árvore XXI - um espaço de convergência criativa, da Cooperativa Árvore, ou a Incubadora de Indústrias da Bienal de Cerveira.
Juntos, estes projectos absorvem 4,58 milhões de euros de apoios, para um investimento global estimado de 6,54 milhões.

iMod - Inovação, Moda Design Santo Tirso

O projecto visa desenvolver uma incubadora de negócios criativos, orientada para a cadeia de valor da moda, no quarteirão cultural da Fábrica do Telles, uma antiga unidade têxtil localizada junto ao rio Ave, em Santo Tirso. Serão financiados a recuperação do edifício, a aquisição de equipamento e mobiliário, o fornecimento de serviços de comunicação e publicidade, trabalhos especializados e equipa técnica. A câmara local investe 4.268.508 de euros e tem apoios de 3.296.808.

Oliva Creative Factory São João da Madeira

A Câmara de São João da Madeira pretende instalar um pólo de indústrias criativas na antiga Fábrica Oliva. O projecto inclui três valências: Rede de Recursos, Competências e de Excelência nas Indústrias Criativas; Incubadora e Espaço de Negócios; e Espaços Interdisciplinares. Além da aquisição do espaço e execução da obra, o projecto contempla acções de consultoria, programa de empreendedorismo e acções de comunicação. O custo é de 9.443.796 euros, com verbas do ON.2 no valor de 7.466.495 euros.

Centro de Criatividade Digital Universidade Católica-Porto Porto

A Católica do Porto está a desenvolver o projecto do Centro de Criatividade Digital em três vectores fundamentais: Centro de Competência e Excelência Criativa; Incubadora Aquário de Som e Imagem; Espaço Interdisciplinar de Encontro e Convergência Criativa. Inclui a construção de um novo edifício (projecto de Siza Vieira), a requalificação da Escola das Artes e o equipamento destas infra-estruturas. O investimento é de 11.875.393 euros, com 7.887.465 euros do ON.2.

Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua Santa Maria da Feira

O projecto apresenta-se como uma aposta nas áreas de criação e apoio a artistas, no acolhimento de negócios criativos, na investigação e produção de conhecimento e na implementação de um serviço educativo. Além da construção e equipamento do edifício, o projecto engloba a aquisição de trabalhos especializados que permitirão conferir maior qualidade à actividade desenvolvida pelo Centro. Investimento: 8.483.512 euros; apoio 0N.2:6.786.809 euros.

Fábrica do Design e da Inovação de Paredes Paredes

A Câmara de Paredes quer construir em Lordelo um edifício de grande valor arquitectónico para instalar espaços de dinamização cultural e de produção e partilha de conhecimento. A Fábrica de Design incluirá equipamento para prototipagem rápida de novos produtos para servir os agentes económicos locais e umfablab, que permite construir, com meios digitais, produtos e protótipos. O investimento é de 6.446.807 euros, com apoio europeu de 5.157.453 euros.
O gestor do Programa Operacional da Região Norte (ON.2), Mário Rui Silva, admite que um ou outro projecto aprovado possa sofrer reajustamentos na escala ou no tempo, devido a eventuais dificuldades financeiras de algum dos promotores. No entanto, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) e a equipa do ON.2 acreditam que, nas próximas semanas, ficará disponibilizada a primeira tranche do empréstimo de 1500 milhões de euros negociado por Portugal com o Banco Europeu de Investimento (BEI), que permitirá aos promotores garantir, a juros baixos, o financiamento de grande parte (dois terços, no limite) da componente nacional de cada projecto.

O que ajudará a ultrapassar os contrangimentos que autarquias e outros agentes enfrentam no recurso ao crédito bancário. Para além da componente material, o ON.2 destinou parte dos apoios a um conjunto de eventos organizados por instituições como Casa da Música, Fundação de Serralves, Teatro Nacional de São João, Museu do Douro, Fundação Bienal de Cerveira, Câmara de Guimarães e alguns parceiros desta cidade. O rol de eventos inclui ainda realizações da Cooperativa Curtas Metragens de Vila do Conde, Câmara de Paredes, Associação Nacional de Jovens Empresários, Câmara do Porto e Turismo do Porto e Norte de Portugal. São 15,7 milhões de euros de investimento, suportados com 11 milhões do Programa Operacional Regional.

A CCDRN espera que estes eventos ajudem a criar um ambiente de criatividade e que dos restantes projectos venham a emergir novas actividades geradoras de valor económico. A expectativa, em última instância, é que a Região Norte consiga fixar e atrair talentos, recompondo a base da sua economia e acrescentando valor aos sectores tradicionais. A afectação de fundos para este sector emergente e a sua distribuição, destaca Mário Rui Silva, mostram quão importante foi o processo de debate público lançado há uns anos pela CCDRN e por Serralves que colocou as indústrias criativas na agenda regional. "Houve um empurrão público", assume este técnico da comissão, satisfeito, para já, com a reacção dos vários agentes, públicos e privados, a trabalhar no terreno.

Dário Viegas
*cortesia CultDigest