PROGRAMA DO GOVERNO- CULTURA





O DESAFIO DO FUTURO



Cultura


A cultura é um factor de coesão e de identidade nacional. Não a tomaremos como um conjunto de sectores organizados consoante os interesses e as prioridades dos seus agentes, mas como uma atitude perante a vida e as realidades nacionais. Ela constitui, hoje, um universo gerador de riqueza, de emprego e de qualidade de vida – e, em simultâneo, um instrumento para a afirmação de Portugal na comunidade internacional.


Objectivos estratégicos


-Reavaliar o papel do Estado na vida cultural, de modo a que até ao final de 2011 seja possível uma reorganização e simplificação das estruturas da Secretaria de Estado da Cultura do ponto do vista do interesse público;


-Valorizar o papel da cultura, da criação artística e da participação dos cidadãos enquanto factores de criação de riqueza, de qualificação frente às exigências contemporâneas e de melhoria da qualidade de vida dos portugueses;


-Promover a educação artística e para a cultura em todos os sectores da sociedade, em coordenação com entidades públicas e privadas;


-Reafirmar a necessidade da salvaguarda do património material e imaterial;


-Libertar o potencial das indústrias criativas e apoiar a implementação do negócio digital e das soluções de licenciamento que permitam equilibrar a necessidade de acesso à cultura com o reforço dos direitos dos criadores;


-Apoiar, libertar e incentivar a criação artística, nas suas diversas áreas, tendo em conta que o Estado não é um produtor de cultura.


Medidas


Estrutura da Secretaria de Estado da Cultura


Por ser necessária a definição do papel e funções da Secretaria de Estado da Cultura, impõe-se a concepção e redacção da sua Lei Orgânica, a qual deve estar concluída até ao prazo máximo de 90 dias.


No âmbito da nova Lei Orgânica proceder-se-á à reestruturação necessária tanto dos organismos integrados na administração directa do Estado, quanto daqueles sob sua administração indirecta.


Prosseguindo os objectivos de eficácia, eficiência e transparência serão reavaliadas as entidades culturais integradas no SEE, devendo a nova Lei Orgânica reflectir o resultado dessa avaliação.


Os organismos institucionais da Cultura irão adoptar uma atitude de total transparência em relação à sua actividade, disponibilizando em permanência os indicadores estatísticos provenientes dos seus serviços, e fazendo-os recolher, tratar e analisar pelo Observatório das Actividades Culturais, publicitando depois os seus resultados.


De igual modo, a atribuição de apoios financeiros na área da cultura, e respectiva execução dos contratos-programa, deverão ser publicados com regularidade através da internet.


Sector do livro, da leitura e da política da Língua


O Governo assume o compromisso de completar a Rede Nacional de Bibliotecas iniciada em 1986, no X Governo Constitucional, dotando-a dos instrumentos adequados ao cumprimento dos contratos-programa estabelecidos ou a estabelecer com as Autarquias.


Retomar-se-á a Rede do Conhecimento, interrompida em 2005, alicerçando-se nas infra-estruturas das bibliotecas municipais uma vasta partilha de recursos e de meios tecnológicos potenciadora da divulgação e acesso ao livro e à leitura.


A fim de valorizar o papel da Cultura portuguesa no Mundo o Governo irá sistematizar o programa de tradução de literatura portuguesa no estrangeiro, com o objectivo alargá-lo a todos os países da União Europeia no prazo da legislatura, com apoio do MNE/Instituto Camões e a participação dos grupos editoriais de referência.


Com o mesmo objectivo será retomado o circuito de feiras do livro nos PALOPs e Timor.


O Governo continuará a apoiar o Plano Nacional de Leitura, reavaliando a sua função e a natureza do seu trabalho, bem como a sua ligação às bibliotecas escolares.


O Governo acompanhará a adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa garantindo que a sua crescente universalização constitua uma oportunidade para colocar a Língua no centro da agenda política, tanto interna como externamente.


Nesse sentido, irá apoiar o reforço do papel do Português como língua de comunicação internacional junto das instâncias internacionais e em profunda concertação com os restantes países da CPLP, relembrando que, mais do que criar novas entidades de promoção da Língua, interessa potenciar aquelas que já existem, sejam elas de carácter associativo, académico ou político; nessa medida, reavaliará a execução e gestão do Fundo da Língua Portuguesa.


O Governo apoiará a digitalização de fontes e de conteúdos de natureza literária e científica em Língua Portuguesa, continuando a promover, através da Biblioteca Nacional, a classificação, conservação e divulgação do espólio dos grandes criadores da Língua Portuguesa.


O Governo criará, em colaboração com entidades públicas e privadas, um conjunto o mais alargado possível de bibliotecas da Língua e da Cultura Portuguesa a distribuir pelos países e comunidades onde se fala a nossa Língua.


Nas artes e no apoio às artes


O Governo irá concluir, no prazo de seis meses, uma proposta de Lei do Cinema depois de escutar os vários sectores relacionados com a indústria cinematográfica, e tendo como objectivo a valorização e a melhor divulgação do cinema escrito, produzido e realizado em Portugal.


O Governo assume o objectivo de aprofundar a ligação do sector do cinema ao serviço público e privado de televisão. Ao mesmo tempo, o Governo reavaliará a execução e gestão do Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual.


A fim de criar uma exigência de comunicação com o público e uma preocupação com a distribuição e exibição das obras cinematográficas, o Governo, através do Instituto do Cinema e do Audiovisual, irá ter em conta os resultados de bilheteira e número de espectadores obtidos pelos filmes anteriores dos produtores e realizadores candidatos a apoios.


Uma parte dos investimentos do Instituto do Cinema e do Audiovisual deve ser reservada ao estímulo a novos talentos e a filmes que, pela sua particularidade artística e cultural, possam não encontrar no mercado as fontes necessárias de financiamento.


O Governo irá equacionar, de forma ponderada, o modelo de participação e financiamento das diferentes fundações que auferem de dinheiros públicos.


Consciente de um desajustamento entre a quantidade de equipamentos culturais disponíveis e a sua sustentabilidade, a Secretaria de Estado da Cultura promoverá a elaboração de um Livro Branco da Cultura para as cinco Regiões-Plano do continente. Esse documento, em permanente construção, tem como objectivo reunir toda a informação disponível sobre a agenda cultural nacional.


O Governo vai restaurar a identidade cultural e o prestígio artístico dos Teatros Nacionais, debilitados por políticas erráticas, e definindo, com clareza e objectividade, contratos-programa para estas entidades.


O Governo entende que, na actual situação económica, a existência de dispositivos de internacionalização é crucial para o alargamento de mercados do sector artístico.


Património


Representando a herança comum de todos os portugueses, o Património tangível e o Património intangível são simultaneamente um importante factor de identidade nacional, referências fundamentais na educação dos portugueses e elementos de enorme potencial para a nossa economia. Daí a necessidade de assumir a manutenção responsável e a valorização dos museus e monumentos nacionais, a promover com as Autarquias, as Escolas e a Sociedade Civil, reconhecendo um contributo que não se esgota na sua contemplação e fruição.


No difícil período que atravessamos o governo abordará a rede nacional de Museus não numa perspectiva de criação de novas estruturas mas no sentido de optimizar os recursos existentes, valorizando a conservação, a investigação e a interacção com o público. No prazo de um ano, o Governo apresentará a sua proposta para uma nova estratégia da Rede de Museus.


Num prazo de seis meses, o Governo estudará a revisão do regime de gratuitidade dos museus, diminuindo o período da sua aplicação. Ao mesmo tempo, irá promover a discussão sobre os seus horários de funcionamento.


O Governo garantirá um conjunto de protocolos a estabelecer com as autarquias, fundações ou confissões religiosas a fim de elaborar, num prazo nunca superior a um ano, o mapa de prioridades de reabilitação de património classificado.


Em coordenação entre vários sectores da Administração, e em colaboração com instituições internacionais, o Governo promoverá a classificação e preservação do património Português espalhado pelo mundo.


No prazo de dois anos, a Secretaria de Estado da Cultura apresentará o primeiro inventário-base do Património Imaterial Português.


Indústrias criativas, direitos dos criadores e produtores


O Governo reconhece o valor económico do sector criativo e cultural, inovador por excelência, constituindo o trabalho dos criadores um factor fundamental para a definição da identidade contemporânea de Portugal, para a reflexão sobre a sociedade na qual vivemos e para a construção da sua modernidade.


Contribuir para o desenvolvimento das indústrias criativas, sector transversal a várias áreas da governação, mas claramente emanando da Cultura, é fundamental para aumentar a auto-sustentabilidade do sector cultural, assegurar a difusão e defesa dos Direitos de Autor e gerar emprego qualificado, concorrendo ainda para a revitalização urbana.


O Governo compromete-se a promover a ligação entre o sector criativo e cultural, entre parceiros institucionais e privados, apoiando institucionalmente a criação de outras soluções de financiamento a projectos artísticos e culturais, assumindo as seguintes prioridades:


- Redacção, com os restantes sectores envolvidos (Economia, Finanças, Segurança Social, Emprego, Educação e Ciência), de um Estatuto dos Profissionais das Artes, a completar no prazo de 270 dias;


- Aprofundar a contratualização dos apoios, aumentando os prazos de concessão no sentido de possibilitar a criação de projectos artísticos plurianuais;


- Aumentar a circulação interna da criação artística, promovendo os circuitos integrados e a co-produção e programação regionais;


- Promover a proximidade e articulação entre os criadores e as indústrias de modo a potenciar o valor económico de projectos e talentos;


- Apostar na divulgação internacional dos criadores portugueses em todos os quadrantes das artes, destacando o design, reconhecida a sua capacidade de acrescentar valor e contribuir para as exportações nacionais;


- Assegurar a ligação entre os vários Ministérios, os Institutos, os serviços e o SEE de modo a promover e incentivar o trabalho conjunto de criadores, indústrias produtivas e prestadoras de serviços;


- Apoiar a criação de gabinetes empresariais vocacionados para a gestão de entidades culturais independentes;


O Governo compromete-se a elaborar uma nova Lei da Cópia Privada, adaptando-a às necessidades e exigências actuais, num período de seis a oito meses.


O Governo compromete-se, num prazo razoável de seis meses a um ano, a elaborar legislação sobre o combate às várias formas de pirataria – e a promover regulação eficiente e mecanismos de monitorização de acordo com as estratégias entretanto definidas pela Comissão Europeia.


A Secretaria de Estado da Cultura elaborará, no prazo de seis a nove meses, e em colaboração com o Ministério da Justiça, um estudo sobre a possibilidade de ampliar o número de Tribunais de Propriedade Intelectual.


Tendo em conta a preparação de uma Directiva da Comissão Europeia sobre a Lei das Sociedades de Gestão Colectiva de Direitos, o Governo compromete-se a actualizar a lei actual, que carece de revisão urgente, acreditando que a sua aplicação ao sector da música será extensiva ao audiovisual e à área literária. Serão adoptados princípios para garantir uma governação eficiente e transparente das sociedades de gestão, tendo em vista a sua compatibilização com os princípios do licenciamento multi-territorial.


O Governo considera necessário produzir uma norma interpretativa do conceito de promotor de espectáculo, procedendo à audição dos interessados num período de dois a três meses.


O Governo estabelecerá um período de um a dois anos para elaborar legislação respeitante à adaptação do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos às novas realidades do mundo digital.


Para Saber +, consulte: http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Governo/ProgramaGoverno/Pages/ProgramadoGoverno_43.aspx

















CONVERSAS À VOLTA DA MESA - MANUEL GRAÇA DIAS, DIA 7 DE JUNHO, ÀS 19H

Lisboa, Rua de São Filipe Nery, ao Rato, 1931 (Foto: Estúdio Horácio Novais)

As minhas memórias à volta do Largo do Rato, em Lisboa

À volta do Largo do Rato, em Lisboa, perto de onde viveu e teve atelier, Manuel Graça Dias falar-nos-á , através do recurso a algumas memórias pessoais, mas também através da sua visão do que possa e deva ser uma Cidade, da cidade em geral, dos seus problemas, alegrias e desaires, mas também de Lisboa, dos seus problemas, alegrias e desaires.

Mais que uma viagem ao passado, interessará, sobretudo, procurar alguma compreensão do futuro, ou de um certo desejo de futuro, fortemente ancorada numa tentativa de compreensão do presente.

Manuel Graça Dias (Lisboa, 1953), arquitecto (ESBAL, 1977), vive e trabalha em Lisboa onde criou o atelier CONTEMPORÂNEA com Egas José Vieira (1990).

Professor Auxiliar da FAUP (doutorado em 2009) e Professor Convidado do DA/UAL, é autor de numerosos textos de crítica e divulgação de arquitectura e dirige o Jornal Arquitectos (2009/2011), orgão da Ordem dos Arquitectos (cuja direcção também assumiu em 2000/2004).

Em 1999, MGD+EJV receberam o Prémio AICA/MC (Arquitectura) pelo conjunto da sua obra.

CONVERSAS À VOLTA DA MESA - MANUEL AIRES MATEUS + ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA, DIA 31 DE MAIO, ÀS 19H


MANUEL AIRES MATEUS nasce em Lisboa, em 1963, e forma-se em Arquitectura na F.A./U.T.L., em 1986. Colabora com o arquitecto Gonçalo Byrne desde 1983. Colabora com o arquitecto Francisco Aires Mateus desde 1988. Professor Convidado na Graduate School of Design, Harvard University, em 2002 e 2005, e na Fakulteta za Arhitekturo, Universa v Ljubljani, Ljubljana, em 2003-2004. Professor na Accademia di Architettura, Mendrisio, desde 2001. Professor na Universidade Autónoma de Lisboa, desde 1998. Professor na Universidade Lusíada de Lisboa, desde 1997. Monitor na F.A./U.T.L., de 1986 a 1991. Assistente na F.A./U.T.L., de 1991 a 1998. Assistente na Universidade Lusíada de Lisboa, de 1988 a 1990.
Participação em exposições, conferências e seminários. Vencedor de vários prémios internacionais, Manuel Aires Mateus foi distinguido, em 2002, com o Valmor, com a Reitoria da Universidade Nova, em Campolide.

PARQUE MAYER

A proposta funda-se na extensão da massa arbórea do Jardim Botânico, desde o actual limite até ao tardoz da periferia construída. Além de promover a continuidade ecológica com a Avenida, cria-se assim um anel de protecção, que permite uma utilização intensa e absorve o impacto nefasto da poluição, ajudando a preservar o equilíbrio do Jardim Botânico.

Aqueles espaços verdes são, na realidade, as coberturas do novo edificado. Mas, mais do que edifícios de cobertura ajardinada, o que se propõe é a ocupação dos espaços resultantes, sob os grandes planos contínuos que modelam a plataforma à cota superior. Noutros moldes, o paradigma é o da cidade histórica: elevada ocupação do solo, baixa altura de construção. Embora contínua em conceito, essa camada edificada é profusamente aberta: permeável às ruas circundantes, atravessável no seu interior, recortada para o céu. Qualificando alguns troços existentes e criando outros, gera-se uma malha de espaço público pedonal que articula as duas cotas; o Capitólio é reenquadrado numa nova praça, onde todos os percursos desaguam.

Implementação de novas actividades e revitalização das actuais devem gerar mútuo benefício. Em torno do Capitólio recuperado, será natural um pólo de artes performativas; na Politécnica, propõe-se um de artes plásticas. São actividades afins, com impacto económico-social e margem de crescimento; escolas e workshops, associados a residências temporárias, podem garantir uma programação de eventos em ambas as áreas, de forma continuada e económica. E, sobretudo, podem informalmente interagir com a vida da cidade, tomando o espaço público como palco principal. Já o desafio do Jardim Botânico é diferente: recuperá-lo e divulgá-lo sem comprometer um equilíbrio delicado e precioso.

ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA licenciou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1969. É Master of Architecture pela Louis Kahn’s Class, na Universidade da Pensilvânia, em 1973. Trabalhou no Louis Kahn's Office, em Philadelfia, EUA, durante 1973.
Integrandou a equipa do Plano Director Municipal da Câmara Municipal de Lisboa de 1971 a 1972. É projectista desde 1969 e, desde 1998, concilia o ensino da Arquitectura com a sua empresa de projectos – Souza Oliveira, Lda., sendo autor de diversos edifícios públicos e projectos urbanos, nomeadamente o Campus da Universidade Nova de Lisboa e a Biblioteca e Arquivo Municipal de Lisboa em co-autoria com o Arq. Manuel Mateus. Dos projectos mais recentes destacam-se a Escola Superior de Gestão (IPCA), em Barcelos, a Residência Alfredo de Sousa da Universidade Nova de Lisboa, duas casas na Vila Utopia, em Oeiras, um edifício de habitação – Lisbon Stone Block - e a Reabilitação do Edifício do Capitólio, no Parque Mayer.

EDIFÍCIO DO CAPITÓLIO

A integração do Capitólio pressupõe uma aproximação cénica ao sítio urbano: o Parque Mayer.
Transformar o Capitólio é repor a sua “grande sala” e abri-la, lateralmente, para uma praça que “encaixa” o espectáculo. O conceito explora a capacidade de reconversão e adaptação do espaço à mutação da relação público/actores. A reabilitação do edifício vem repor e melhorar a versatilidade do espaço e responder às novas exigências da produção contemporânea de espectáculos. A flexibilidade exigida corresponde a ampliar a capacidade de uso e o apetrechamento técnico, adaptando o espaço a múltiplos formatos. A retoma de funcionalidade do Capitólio pressupõe apetrechar o “palco” e a “caixa” com meios técnicos de cena (luz, som e vídeo) sendo exigível que o “esqueleto técnico” pretendido seja minimizado, sob pena de “descaracterização” da “caixa”. Compatibilizar meios técnicos “mais pesados” com a leveza do edificado levantou o problema da “intocabilidade” do Capitólio como peça arquitectónica, ao pretender manterem-se as linhas modernistas do edifício, e esse foi o exercício de projecto.

ROBERT WILSON - THE LISBON EXPERIENCE

Robert Wilson, sentado, e Luís Serpa, no dia 17 de Maio de 2011, por volta das oito da noite, na Galeria Luís Serpa Projectos.

CONVERSAS À VOLTA DA MESA - MANUEL AIRES MATEUS E FREDERICO VALSASSINA, DIA 24 DE MAIO, ÀS 19H


Edifício habitacional – Largo do Rato - Lisboa


FREDERICO VALSASSINA nasceu em Lisboa em 1955. Licenciado em Arquitectura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, em Julho de 1979. Tem trabalhos publicados em Portugal e no estrangeiro. Recebe a Menção Honrosa do Prémio Valmor 2003 referente ao Projecto Alcântara Rio; em 2005, foi professor convidado da Faculdade de Arquitectura da UTL, no âmbito do Mestrado em Desenvolvimento Imobiliário, a leccionar a cadeira de Concepção dos Espaços Residenciais; em 2007, recebe o Prémio Nacional INH/ IHRU e está representado na Trienal de Lisboa. Em 2008, a obra dos novos Estúdios da RTP/RDP é seleccionada para o World Architecture Festival em Barcelona. Em 2009, a obra do Colégio de S. Tomás é seleccionada no âmbito do mesmo Festival. É, ainda, seleccionado para a Exposição Nacional de Arquitectura Habitar Portugal 2006/08 e júri convidado para o Concurso Internacional de Arquitectura a decorrer na Universidade de Campinas, Brasil. Recebe o Prémio Valmor 2004 para o projecto do Art’s Business e Hotel Centre no Parque das Nações.

MANUEL AIRES MATEUS nasce em Lisboa, em 1963, e forma-se em Arquitectura na F.A./U.T.L., em 1986. Colabora com o arquitecto Gonçalo Byrne desde 1983. Colabora com o arquitecto Francisco Aires Mateus desde 1988. Professor Convidado na Graduate School of Design, Harvard University, em 2002 e 2005, e na Fakulteta za Arhitekturo, Universa v Ljubljani, Ljubljana, em 2003-2004. Professor na Accademia di Architettura, Mendrisio, desde 2001. Professor na Universidade Autónoma de Lisboa, desde 1998. Professor na Universidade Lusíada de Lisboa, desde 1997. Monitor na F.A./U.T.L., de 1986 a 1991. Assistente na F.A./U.T.L., de 1991 a 1998. Assistente na Universidade Lusíada de Lisboa, de 1988 a 1990. Participação em exposições, conferências e seminários. Vencedor de vários prémios internacionais, Manuel Aires Mateus foi distinguido, em 2002, com o Valmor, pela Reitoria da Universidade Nova, em Campolide.

O projecto pretende concluir um importante gaveto do Largo do Rato. Este espaço mantido com um aspecto inacabado com a abertura da Rua Alexandre Herculano delimita um ângulo com o outro limite histórico da Rua do Salitre.
Esta localização confina zonas consolidadas da cidade áreas e edificados de vários tipos, tempos e escalas. Relaciona-se com o espaço aberto do Largo do Rato e com a escala abstracta da dimensão topográfica do muro do Palácio Palmela. Assume, assim, o projecto um papel mediador de realidades diversas.
O projecto é desenhado a partir da realidade encontrada, dimensionando a partir de altura do edifício “Ventura Terra“ como bitola de um equilíbrio que se sente no local, assumindo uma imagem abstracta que o relaciona com a topografia ou a materialidade do muro da Procuradoria.
O projecto que pretende ancorar este importante remate introduz ainda o problema do tempo numa área de muitos períodos históricos e construtivos do processo da cidade.
Resulta assim necessário traduzir este papel de mediador de dimensões físicas, mas também da percepção do urbano. A opção aproximou a proposta de uma escala entre o construído, “Arquitectónico” e o topográfico “territorial”. Uma ambição de um volume abstracto, “flutuante”, mas pesado pela sobreposição de camadas de pedra “tradutoras” de uma história. Pedras de lioz recolhidas na própria história da cidade, para, reutilizadas, concluírem este espaço até agora em aberto.

ROBERT WILSON EM PORTUGAL - 17 DE MAIO, ÀS 19H45

Nascido em Waco, no Texas, em 1941, Robert Wilson frequentou a Universidade do Texas e o Brooklyn’s Pratt Institute, onde desenvolveu interesses por arquitectura e design. Em Nova Iorque, nos anos 60, reuniu um grupo de artistas, que ficou conhecido por The Byrd Hoffman School of Byrds. Das grandes produções teatrais, destacam-se The King of Spain, The Life and Times of Sigmund Freud, The Life and Times of Joseph Stalin, A Letter for Queen Victoria, Einstein on the Beach (com o compositor Philip Glass), Death Destruction & Detroit e Death Destruction & Detroit II, The Black Rider, Alice, Time Rocker, e POEtry. Entre as muitas óperas dirigidas por Wilson, estão Parsifal e Lohengrin de Richard Wagner, The Magic Flute de Wolfgang Amadeus Mozart, Madame Butterfly de Giacomo Puccini, e Pelléas et Mélisande de Claude Debussy. Ao longo dos anos, Robert Wilson apresentou adaptações inovadoras de escritores como Virginia Woolf (Orlando), Henrik Ibsen (When We Dead Awaken), Gertrude Stein (Doctor Faustus Lights the Lights, Four Saints in Three Acts, e Saints and Singing), entre outros. Susan Sontag, David Byrne, Allen Ginsberg, Laurie Anderson, Jessye Norman e Tom Waits são alguns dos artistas com quem colaborou. Foi galardoado duas vezes com o prémio Rockefeller, recebeu também o prémio Guggenheim, entre outros.

A Galeria Luís Serpa Projectos, em colaboração com O Museu Temporário_Projecto[s] de Engenharia Cultural e a INDUSCRIA_Plataforma para as Indústrias Criativas propõe que ouçamos os especialistas. Os arquitectos TERESA CASTRO, JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA, GONÇALO BYRNE, MANUEL AIRES MATEUS, FREDERICO VALSASSINA, ALBERTO DE SOUZA OLIVEIRA e MANUEL GRAÇA DIAS são alguns dos participantes nas CONVERSAS À VOLTA DA MESA que darão respostas informadas sobre preocupações comuns a respeito do destino urbanístico de Lisboa. A eles junta-se o artista americano ROBERT WILSON que, em The Lisbon Experience, falará sobre como um criador internacional encontra inspiração na nossa cidade. RW tem vindo a apresentar periodicamente espectáculos e exposições em Portugal onde granjeia de grande prestígio. Apresentou espectáculos na Fundação Calouste Gulbenkian, Culturgest e Centro Cultural de Belém, e exposições na Galeria Luís Serpa Projectos e Fundação Elipse. Em 1998, apresentou a ópera O Corvo Branco com música de Phillip Glass e libreto de Luís Costa Gomes no âmbito da EXPO’98.

As CONVERSAS À VOLTA DA MESA são moderadas por Luís Serpa e têm lugar de 26 de Abril a 07 de Junho 2011, às Terças-Feiras, às 19h00, na Rua Tenente Raul Cascais 1B. A entrada é livre.